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Festival de Busan bate recorde de público e reforça peso no Oscar

O 31º Festival Internacional de Cinema de Busan (BIFF) já pode comemorar antes mesmo de encerrar sua programação. Em apenas cinco dias de evento, iniciado em 6 de outubro, o festival sul-coreano reuniu 50 mil espectadores, número que supera o total de público registrado em toda a edição do ano passado. O dado, divulgado pelo veículo News Culture, confirma a força crescente do BIFF como um dos grandes polos do cinema mundial.

Público recorde em meio a programação ampliada

O total de 50 mil visitantes contabiliza tanto sessões em espaços fechados - como aulas de cinema e encontros com atores - quanto atividades ao ar livre, caso de palestras abertas e apresentações teatrais. Para alcançar esse público, a organização apostou em mudanças estruturais: a cerimônia de abertura foi realizada numa terça-feira pela primeira vez na história do evento, e o número de sessões diárias nos principais cinemas subiu para cinco, de quinta a domingo. Segundo o News Culture, as salas do Busan Cinema Center e os espaços externos ficaram lotados desde os primeiros dias, criando um clima de intensa movimentação na cidade portuária sul-coreana.

A edição de 2026 exibe 316 filmes - sendo 247 selecionados oficialmente de 59 países e 95 em estreia mundial - distribuídos em 31 telas espalhadas por oito cinemas de Busan. A curadoria também investiu em programas que aproximam o público do processo criativo por trás das obras, com nomes como Alfonso Cuarón, em sua primeira visita à Coreia do Sul, conduzindo uma oficina de cinema após sessão especial em IMAX de "Gravidade". Maggie Gyllenhaal, Charlotte Gainsbourg e a veterana Ann Hui, vencedora do Prêmio Camélia, também participaram de palestras e aulas abertas, enquanto diretores como Na Hong Jin, Lav Diaz, Rintaro e Bertrand Mandico comandaram masterclasses. O programa Actors' House, com Kim Go Eun, Kim Min Ha, Ryu Seung Ryong, Shin Min A e Ju Ji Hoon, completou o leque de atrações voltadas ao diálogo direto com o público.

BIFF ganha status inédito rumo ao Oscar

A partir deste ano, o BIFF passou a integrar oficialmente o grupo de seis festivais de cinema autorizados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, a indicar filmes para a disputa - além da já tradicional indicação de um representante por país, segundo informações da emissora SBS. Por ora, os organizadores não planejam ampliar o recorte da competição além dos 14 filmes atuais, mas o reconhecimento já é visto como um salto na relevância internacional do evento.

Na prática, isso significa que, se uma produção sul-coreana conquistar o Grande Prêmio de Busan - principal honraria da mostra competitiva -, ela poderá ser submetida ao Oscar de Melhor Filme Internacional ao lado de "Possible Love", de Lee Chang-dong, já indicado pelo país na próxima edição da premiação americana. Para a organização, a soma desse novo status com o aumento no número de obras inscritas e a presença maciça de nomes internacionais deve consolidar ainda mais o papel de Busan - e da Coreia do Sul como um todo - no circuito global de cinema, ao lado de Cannes, Veneza, Berlim, Toronto e Sundance.

Treze filmes na disputa pelo prêmio principal

O Prêmio Busan de Melhor Filme reúne 13 concorrentes este ano, a maioria em estreia mundial ou internacional. Entre os representantes sul-coreanos estão a animação "The Long Long Night", adaptada de um livro infantil popular, o drama "Taeju on That Day", da diretora emergente Lim Ha-yeon, e o filme de terror "The Shave". Na seleção internacional, destacam-se "Pão e Livros", do iraniano Majid Majidi, "Nomes Gravados no Mar", sobre a história moderna da Indonésia, e o drama familiar taiwanês "Ser Comum". Após a exibição de "Names Carved in the Sea", de Yosep Anggi Noen, em 11 de outubro, todos os concorrentes passaram a ser apresentados ao público em sequência. Além da categoria principal, outras 24 produções disputam os prêmios Vision-Asia e Vision-Korea, voltados a realizadores em início de carreira.

Entre os títulos mais comentados está "The First Taste of Loneliness", de Gu Xiaogang, que fecha sua trilogia iniciada com "Paisagem" e "Morada na Montanha Fuchun" e figura na lista anual de dez filmes recomendados do site Roger Ebert. A obra acompanha três gerações de mulheres de uma mesma família após a morte do patriarca, e traz um plano-sequência de mais de 20 minutos assinado pelo diretor de fotografia Mikiya Takimoto. Também mencionados pela publicação estão "Hilol" (Uzbequistão), "Ibuku" (Indonésia), "Midday Meal" (Irã) e "Silver Express" (Japão), reforçando a diversidade geográfica da seleção deste ano.

Mercado paralelo e cerimônias reforçam peso do evento

Paralelamente às exibições, o Asian Film and Content Market (ACFM) já reúne mais de 1.200 empresas de 58 países e cerca de 3 mil profissionais do setor, com 64 programas distribuídos em sete categorias voltadas a licenciamento, investimento, distribuição e coprodução. O Asian Project Market selecionou, entre um recorde de 604 inscrições de 48 países, 30 projetos para apresentação a investidores internacionais. A cerimônia de abertura, apresentada pela atriz Kim Min-ha, reuniu nomes como Michelle Yeoh, Alfonso Cuarón, Isabelle Huppert, Zhou Xun e Hirokazu Kore-eda, além de autoridades locais e do ministro da Cultura sul-coreano. O júri da competição principal é presidido pelo diretor Zhang Yimou, com a cerimônia de encerramento marcada para 15 de outubro em Busan - data que definirá o grande vencedor desta edição histórica.